Ferramentas

Além de algum equipamento de proteção individual (luvas e joelheiras), eventualmente usado pelos calceteiros, existe o conjunto da ferramenta tradicionalmente utilizada pela equipa de calceteiros, que é constituído por:

  • Martelo de bico (ou de passeio) e martelo de pena. Os martelos do granito têm a pena em bico e são maiores. São conhecidos como o martelo “Faz-tudo”. De resto, usam o martelo de meia pedra ou “camartelo” (o maior); o martelo miúdo ou “de passeio” e o martelo da “miudinha”, para a pedra mais pequenina – mosaico. Os martelos são de aço temperado e é preciso saber a têmpera, mas actualmente, não há ferreiros para os fazer. Muitos calceteiros fazem os seus próprios martelos e alguns assinam-nos para registo de propriedade, porque gostam de os personalizar e para não desaparecerem. O facto é que os calceteiros são todos muito orgulhosos da sua ferramenta, especialmente dos seus martelos

 

Além desses, usam-se:

  • linhas para demarcar as fiadas da “puxada”
  • régua (uma tábua corrida)
  • cruzeta ou um nível de bolha
  • picareta
  • pá e a forquilha para mover os cubos
  • vassoura larga para espalhar o areão
  • maço de calcão de madeira (de 1m de altura de cabo e 15-20 kg na base reforçada com duas faixas de ferro em torno da madeira para esta não estalar)
  • regador
  • desenhos e respetivos moldes
  • banquinho
  • carrinho de mãos

 

Alguma maquinaria tem vindo a ser adquirida por algumas autarquias e empresas, como o martelo hidráulico, a talocha mecânica ou a polidora.

Consideram-se como fundamentais ainda, na calçada artística portuguesa os desenhos (projetos e respetivos orçamentos) que servem de base para os moldes usados no pavimento. Estes são concebidos, no caso de Lisboa, habitualmente por quadros técnicos municipais, sobretudo arquitetos, ou artistas plásticos convidados, raras vezes, pelos próprios artesãos anónimos que a executam. Pela sua enorme flexibilidade, os desenhos são produzidos para cobrir áreas específicas pré-definidas, ou são criados espontaneamente para posterior aplicação adaptada, numa superfície a ser selecionada para pavimentar. Certos desenhos surgem por obra de artistas plásticos que, com o trabalho artesanal de calceteiros experientes, os recriam por meio do uso de moldes, em calçada artística nas superfícies mais diversas.

Toda a calçada que existe com desenho tem de ter um molde, que pode ser uma peça única ou ter várias peças que estão numeradas (podendo um molde chegar a ter 90 peças diferentes). Pode-se dizer que cada molde, enquanto património cultural móvel associado à calçada portuguesa “vive sozinho”, já que pode ser usado para uma empreitada só, pode ser sujeito a um projeto de desenho e de execução de moldes numa obra para assentamento, e pode ainda ser aplicado isoladamente ou junto com outros moldes, numa mesma empreitada.