A Profissão
Os agentes são os calceteiros, na sua maioria homens, havendo apenas algumas mulheres, oriundos de diferentes regiões. Estes são os principais responsáveis pela criação, manutenção e transmissão da calçada portuguesa, um saber-fazer tradicional em declínio. Predominantemente homens, oriundos de várias regiões do país, deslocam-se conforme as oportunidades de trabalho. O número de profissionais tem diminuído drasticamente: Lisboa, por exemplo, que tinha 400 calceteiros em 1927, conta hoje com pouco mais de uma dúzia em idade avançada.
No passado, havia uma hierarquia especializada (mestres, calceteiros de 1.ª a 3.ª, serventes), hoje praticamente extinta, embora ainda haja reconhecimento informal dos mestres. No passado, para muitos calceteiros esta arte era um trabalho sazonal que intercalavam com a agricultura, o que se mantém para alguns, poucos, ainda hoje.
Vários destes profissionais mais habilitados têm enveredado pela iniciativa privada. Pelo seu empreendedorismo lançaram-se na execução de calcetamento por conta própria, formando pequenas empresas unipessoais ou familiares que realizam pavimentação de calçada simples ou com desenhos e que vão subsistindo graças a trabalhos realizados no país ou além-fronteiras.
A maioria enfrenta condições de trabalho duras, baixa remuneração e falta de valorização profissional.
Todos dependem do trabalho dos extratores e transformadores da pedra calcária nas pedreiras onde a organização laboral implica também níveis de especialização, com divisão do trabalho segundo as diferentes tarefas a desempenhar.