Medidas de salvaguarda

A maioria das medidas de salvaguarda destinadas a atrair aprendizes, colmatar a falta de Mestres e evitar o declínio desta arte foram planeadas, estão a ser desenvolvidas e estão ou estarão a ser implementadas com os calceteiros, sendo que algumas partiram da sua própria iniciativa, nomeadamente através dos membros do grupo de calceteiros associados. Outras entidades também participaram na conceção e/ou implementação das seguintes medidas:

  • Desenvolvimento do associativismo entre a comunidade de calceteiros;
  • Inventariação, registo, tratamento e valorização da coleção de moldes de calçada nos serviços municipais;
  • Levantamento fotográfico, identificação e caracterização no território nacional (continente e ilhas) e internacional;
  • Introdução de módulos educativos e de promoção nas escolas, para atrair jovens calceteiros;
  • Diversas ações de formação: (c. 300 alunos na Escola de Lisboa desde 1986);
  • Cursos de calçada dirigidos a imigrantes;
  • Iniciativas para proteção legal do património material, com a classificação patrimonial de exemplos de calçada artística portuguesa de excecional valor, a nível nacional e/ou municipal;
  • Sensibilização (reuniões/correspondência) para a valorização da profissão de calceteiro, através da criação de benefícios associados a trabalho penoso e insalubre; do reconhecimento da profissão como de desgaste rápido; da promoção de uma carreira especial para calceteiros dirigida a autoridades locais, nacionais e partidos com assento parlamentar; estas ações de carácter profissional, formativo e informativo poderão contribuir para a sustentabilidade económica e profissional dos calceteiros a médio/longo prazo;
  • Preparação de uma referência e formação profissional para calceteiros artísticos;
  • Implementação de melhores condições de trabalho por parte das autoridades;
  • Definição de condições técnicas específicas para cada intervenção em calçada artística, com a criação de um manual de boas práticas;
  • Estímulo à investigação relacionada com a conservação;
  • Criação e implementação de um centro de interpretação e documentação da Calçada Portuguesa;
  • Sensibilização de todas as entidades públicas e privadas, locais e regionais, que atuam na área da calçada, bem como do público em geral, para a preservação da calçada portuguesa e valorização profissional dos seus executantes;
  • Promoção de publicações (por exemplo, roteiros locais e globais, ou mais específicos como identificação de simetrias e padrões matemáticos), redes sociais, conferências (locais, nacionais e internacionais) e exposições (com presença e participação dos calceteiros);
  • Aumento da utilização da calçada artística em novos projetos de espaço público;
  • Definição de normas específicas para a intervenção em toda a calçada artística portuguesa;
  • Cursos específicos para imigrantes aprenderem a arte;
  • Promoção de uma rede nacional de formação de calceteiros e valorização das escolas de calçada, em articulação com a valorização da transmissão tradicional de saberes, nomeadamente para atrair jovens calceteiros;
  • Qualificação e valorização dos profissionais e das empresas de calçada, com a criação de um regulamento sobre as condições de autorização/licenciamento para empresas que atuam na área da calçada artística;
  • Concurso anual para premiar os melhores calceteiros, com distinções em várias categorias;
  • Promoção de um programa destinado a artistas visuais, para incentivar a criação de novos desenhos para calçadas.